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quarta-feira, 24 de junho de 2009

HISTORIA E USO MEDICAMENTOSO DE ORQUÍDEAS


Muito provavelmente os primeiros homens, observavam o comportamento instintivo dos animais e sua utilização com as plantas, tanto para se alimentar como para curar várias doenças.

Já em 2900 a.C. o primeiro médico egípcio conhecido como Imhotep, desenhou pirâmides, era sacerdote e utilizava as ervas medicinais em seus preparos mágicos.

A China é o país com a mais longa história no uso e conhecimento do poder terapêutico das plantas e os primeiros a utilizar orquídeas em sua medicina. Quando o imperador chinês Shen Nung morreu em 2698 a. C., já havia provado mais de 100 espécies de ervas e mencionava seu estudo em Cânone das Ervas, com 252 ervas estudadas. Entre as flores encontra-se o uso do Dendrobium com finalidade medicinal. Eles as consideravam as mais aristocráticas dentre as plantas, e seu perfume simbolizavam virtude e sabedoria. O filósofo Confúcio disse certa vez que "ligar-se a uma pessoa superior é como entrar em um jardim de orquídeas".
Na Grécia, Asclépio concebeu um sistema de cura baseado em banhos, jejum e chás, utilizando seu profundo conhecimento terapêutico das plantas. Durante muito tempo, acreditou-se também que as orquídeas possuíam poderes afrodisíacos. Theophrastus, aluno de Aristóteles, considerado o pai da botânica, 300 anos antes de Cristo batiza as orquídeas com o nome de “orkhis”, palavra grega que significa testículos, devido à semelhança entre as raízes de certas orquídeas terrestres (sobretudo nas zonas temperadas da Europa) e os testículos. Ainda hoje estas espécies são conhecidas pelo mesmo nome (Orchis maculata, símia, máscula, spectabilis). Daí vem o nome que derivou toda a família das “Orchidaceae”.

No século primeiro depois de Cristo, um médico grego de nome Dioscórides, que serviu como cirurgião de exército romano, reuniu informações sobre 500 plantas medicinais, entre elas duas orquídeas, em um trabalho intitulado “Matéria Médica”.
Ele desenvolveu uma teoria de que Deus teria criado as plantas para serem úteis aos seres humanos e elas teriam um indício, um sinal que tornaria evidente seu uso. Deste modo, os distúrbios seriam tratados através de partes de plantas que teriam alguma semelhança com o órgão afetado. Usadas como afrodisíaco, as raízes das orquídeas eram maceradas e engolidas. Eram vendidas nas farmácias e mercearias para o preparo de muitas bebidas. Este costume permaneceu até o século XVII.
Escritos do inglês John Parkinson, de 1640, revelam que medicamentos de orquídeas estavam entre as drogas vendidas em Londres (Inglaterra) para a cura de febres, inchaços e feridas.

No Brasil, desde a época do descobrimento, já há registros da utilização de plantas curativas. Os colonizadores europeus observavam o uso freqüente de ervas pelos índios nativos.

As orquídeas podem fornecer uma grande variedade de mensagens, porém, historicamente, as orquídeas incluem riqueza, amor e beleza. Para os Gregos antigos, as orquídeas significavam virilidade, e depois da ascensão e popularidade das espécies de orquídeas na Inglaterra, o significado simbólico passou a ser “Luxo”. Pelo visto as
orquídeas também carregavam propriedades protetoras e cura de doenças. Os astecas e maias bebiam uma mistura de orquídeas (Vanilla) com chocolate para dar-lhes o poder e força, já os chineses mastigavam o sulco das flores porque acreditavam que os curaria de doenças pulmonares.


Ainda hoje, algumas espécies ainda são usadas como medicamento (na forma de poções e bebidas) em muitas regiões do mundo para tratar de artrite, diarréia, dor de cabeça, febre, tosse, problemas digestivos, como anti-conceptivo e como cicatrizante de feridas e incisões.

As propriedades terapêuticas das plantas foram se tornando cada vez mais conhecidas e hoje são base de diversos medicamentos sofisticados. Na idade Moderna, a evolução da ciência e medicina, fez com que todo esse conhecimento antigo, passasse a ser estudado, e as ervas acabaram sendo manipuladas nos laboratórios gerando medicamentos com potencial curativo e dosagens apropriadas. A industrialização e o apogeu da tecnologia afastaram o homem da natureza, desestimulando o cultivo e a busca pelas espécies naturais. Cápsulas, comprimidos, gotas e xaropes substituíram as plantas no tratamento das enfermidades e hoje poucos sabem usar as ervas e flores para seu bem estar.

O mundo da voltas, e depois de tanto excesso no uso de antibióticos e remédios cada vez mais fortes e sintéticos, o homem olha de novo para a natureza, tentando resgatar o conhecimento antigo com mais seriedade, estudando novamente os princípios ativos das plantas e como podem nos ajudar na atualidade.


Bibliografia
http://www.fbpro.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=32
http://blog.florencanto.com.br/category/tudo-sobre-flores
www.delfinadearaujo.com/historia/origem1.htm

terça-feira, 5 de maio de 2009

JOHN LINDLEY E AS ORQUÍDEAS

John Lindley (1799 - 1865). Foi um importante botânico inglês. Ilustrador, taxonomista e autor de diversas obras e artigos científicos sobre plantas, ficou famoso principalmente por seus estudos, identificação e registro de várias orquídeas.

Com certeza já lemos numa plaqueta de identificação alguma orquídea com seu sobrenome, como por exemplo, Dendrobium nobile Lindley ou Cattleya labiata Lindley.

Aqui vai um breve relato da biografia de John Lindley e algumas curiosidades para os apreciadores de orquídeas.

Seu pai era proprietário de um viveiro de plantas e publicou um manual de jardinagem. Quando cresceu foi estudar em Norwich e em 1819 traduziu a Analyse du fruit do botânico frânces Louis Claude Marie Richard. Em 1820 publica a Monographia Rosarum onde descreve novas espécies que ele próprio ilustra. No ano seguinte, produz a Monographia Digitalium e Observations on Pomaceae.

Mudou-se para Londres para redactar as partes descritivas da Encyclopaedia of Plants, publicando este trabalho em 1829. Ainda em 1829, Lindley publica duas obras de acordo com o sistema natural de Jussieu: A Synopsis of British Flora, arranged according to the Natural Order e em 1930, An Introduction to the Natural System of Botany .

Em 1829 tornou-se catedrático de Botânica na “University College de Londres, onde permaneceu até 1860. Foi também secretário da “Horticulture Society” . Um dos fundadores da revista “Gardener´s Chronicle” e um assíduo contribuinte do “Botanical Register”. Lindley foi agraciado com a Royal Medal em 1857.

Em 1830 fez a primeira classificação das orquídeas. Seus trabalhos mais importantes para os orquidófilos são: “O gênero e espécies das plantas orquidáceas”, e Folia Orchidacea, livro inacabado, porém um clássico em botânica.

Alguns dos Gêneros que levam seu nome são: Linleyella, Neolindleyella. E várias Espécies como: Barkeria lindleyana, Cattleyopsis lindleyana, Maxilaria lindleyana, Epidendrum lindleyanum, Odontoglossum lindleyanum, Bulbophyllum lindleyanum.

Na nomenclatura escrita de orquídeas que levam seu nome, podemos escrever por extenso ou na abreviatura padrão que é Lindl.

John Lindley também cometia alguns equívocos. Como era botânico, pesquisador e ilustrador de seus artigos científicos, identificou esta orquídea como uma Cattleya superba, em 1838. Mal sabia ele que esta Cattleya violacea, já havia sido descoberta pelo colecionador Humboldt às margens do rio Orinoco, na fronteira do Brasil, Colômbia e Venezuela. Esse equívoco só foi corrigido em 1889, pelo também botânico inglês R.A. Rolfe, que reconheceu a planta como Cattleya violacea, nome válido cientificamente até hoje.

Entre as suas obras, citam-se :

  • An Outline of the First Principles of Horticulture (1832).
  • An Outline of the Structure and Physiology of Plants (1832).
  • Nixus Plantarum (1833).
  • A Natural System of Botany (1836).
  • Com William Hutton (1797-1860) The Fossil Flora of Great Britain, or Figures and Descriptions of the Vegetable remains found in a Fossil State in the Country (1831-1837).
  • Flora Medica (1838).
  • Theory of Horticulture (1840).
  • The Vegetable Kingdom (1846).
  • Folia Orchidacea (1852).
  • Descriptive Botany (1858).

Referências Bibliográficas:

www.orquidariocuiaba.com.br/tag/botanico-john-lindley

http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Lindley

http://www.delfinadearaujo.com/historia/origem1.htm


domingo, 3 de maio de 2009

HOLCOGLOSSUM AMESIANUM E SUA POLINIZAÇÃO



De acordo com um relatório da revista Nature, uma equipe de pesquisadores estudou 1900 flores da Holcoglossum e descobriu que ela não necessita de insetos polinizadores, nem da ação do vento, ela fertiliza a si própria.

Originária da China, Camboja, Laos e Vietnã, esta espécie cresce em troncos de árvores, não produz perfume ou néctar, suas flores tem de 5 a 6,5 cm de diâmetro e florescem durante os meses secos e sem vento entre fevereiro e abril.

“Esta orquídea desafia a gravidade e torce a parte da antera carregada de pólen de sua flor na posição adequada para ser inserida no estigma e assim fertilizá-la. A planta o faz sem a ajuda de fluidos grudentos ou outros métodos usados pelas plantas autopolinizantes para assegurar que o pólen alcance o óvulo”, reportou Huang, chefe da equipe dos pesquisadores. Essa relação sexual é tão exclusiva que as flores nem mesmo transferem pólen para as outras flores da mesma planta. Isso faz da técnica da Holcoglossum amesianum um novo método de polinização.

http://www.jardimdeflores.com.br/CURIOSIDADES/A37floresexo.htm

http://www.lustosa.net/noticias/36555.php

domingo, 8 de março de 2009

ORQUÍDEAS E SEUS POLINIZADORES


De aparência frágil, as orquídeas são muito resistentes e evoluíram para a adaptação em todos os ambientes, com exceção da água e dos desertos. Ela é encontrada em todos os continentes.
A Schomburgkia tibicinis, por exemplo, é uma litófita (cresce e se desenvolve em rochedos) cujas flores possuem caules que podem atingir três metros de altura, de modo que possam atrair agentes polinizadores. Essa orquídea também hospeda exércitos de formigas no interior oco de seus bulbos. Esses insetos, em retribuição, defendem a planta contra outros insetos herbívoros e pragas que se nutrem de suas folhas.

Existem orquídeas fertilizadas por pássaros ou morcegos, mas a grande maioria - precisamente 86% delas - é polinizada por insetos. A Cymbidium ostenta uma mancha amarela que parece oferecer alguns tentadores bocados de pólen às abelhas polinizadoras. Quando elas chegam e tentam mastigar a isca decorativa, a orquídea deposita o pólen real nas costas do inseto.
Para polinizar suas flores, as orquídeas do gênero Ophyr têm cores metalizadas e atraem os machos das abelhas e vespas secretando um cheiro parecido com o ferormônio das fêmeas desses insetos. O labelo destas flores imita a forma, a cor e até os pelos que cobrem o abdômen das abelhas fêmeas. Tudo isso, estimula o inseto macho fazendo com que este tente copular com a flor, enquanto isso ela deixa cair sobre seu dorso o pólen necessário para polinizar outra orquídea.
Nas regiões úmidas do Oriente Médio, as orquídeas Serapias imitam um abrigo para abelhas. Na natureza, as fêmeas passam a noite em buracos no solo e os machos entram à sua procura. As flores da Serapis têm uma abertura sedutora e um longo tubo. Quando a abelha entra no tubo, a sua passagem é parcialmente bloqueada pela coluna da orquídea, ao forçar a passagem acaba cobrindo-se de pólen. Como não consegue atingir seu objetivo, voa para outra flor.

A espécie Paphiopedilum callosum, encontrado no sudeste da África são muitas vezes polinizadas por uma única espécie de abelha ou mosca sirfo. O inseto é guiado ao centro da flor, local escorregadio que o faz cair numa pétala-bolsa. O único meio de sair é galgar os pelos do dorso da bolsa, uma rota que o faz passar pelos sacos de estigma e pólen. O pólen gruda no inseto e é carregado ao estigma feminino da flor seguinte.

Na espécie Catasetum saccatum o inseto polinizador caminha ao longo da pétala em forma de colher, em direção ao néctar da flor. Enquanto pisam encostam suas costas contra uma projeção em forma de antena da própria flor. A antena está ligadas ao broto flexível e age como gatilho, lançando um pacote de pólen viscoso na direção das costas do inseto.

Charles Darwin, escreveu um livro só sobre fertilização de orquídeas no livro: Os vários dispositivos pelos quais as orquídeas britânicas e estrangeiras são fertilizadas pelos insetos e os efeitos benéficos do intercruzamento.
Na natureza, as sementes são formadas pela ação de insetos, pássaros, formigas que polinizam as flores das orquídeas. Com a destruição das matas e o uso de produtos tóxicos (ironicamente chamados de defensivos químicos) tem ocorrido o desaparecimento desses agentes polinizadores e as orquídeas remanescentes em matas preservadas, não mais se reproduzem, pois não ocorre a polinização e a formação das cápsulas de sementes .